segunda-feira, 29 de agosto de 2016

FIM DA PASSARELA- CRÔNICA 2

Era difícil de engolir. Na passarela, o físico perfeito era mais que necessário. Já tentei de tudo: dietas, remédios, drogas e muito mais. O sonho de uma vida brilhante, agora se tornará um tanto distante, assim como tudo em minha vida. O passado problemático, as brigas com a família, o sentimento de abandono e a crescente falta de confiança em pessoas as meu redor simplesmente desaparecem na primeira tragada, no primeiro incômodo da agulha perfurando a pele ou algo assim.
       
Já fui internada em vários centros para viciados e mentalmente instáveis, mas não durei mais que apenas alguns meses. Isso pareceu incomodar alguns amigos, então fui "convidada a me retirar". Não me importei, já não me importo mais com isso. Nem com o meu sonho destruído. Nem com a mídia. Nem com mais nada.

 Vivia fugindo. O corpo que um dia fora cobiçado e cortejado, tornou-se magro, frágil, dolorido, calejado e desnutrido. Não tinha nada. Tudo o que juntei, gastei com o meu vício irrefreável. Porém, duas coisas ainda me confortavam: A dor que parecia substituir tudo ao meu redor, seguida por uma sensação de liberdade reconfortadora. E, por fim, eu não poderia nunca atingir o fundo do poço, pois já me encontrava no mesmo.

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